terça-feira, 29 de novembro de 2016

Amálgama



Poucas coisas possuem tanto poder de unir pessoas quanto o futebol. Difícil de mensurar ou conceituar (o que no fim seriam apenas palavras), contudo de percepção fácil.

É uma espécie de linha social, que a todos une. Apesar das rivalidades, apesar das diferenças. A empatia aqui une. É fácil se colocar numa situação trágica, se permitir querer uma situação de glória, um grito de gol.

Ali, naqueles segundos, todos se unem. Todos são um, e todos os ódios e diferenças mundanas, naquela pequena fração da história, se esvaem; naqueles segundos, sobre o concreto, o mundo é um lugar belo.

Aliás, dois termos seriam capazes de, de certo modo, definir o futebol: cotidiano e empatia. A camisa na rua, os amigos da firma que fazem apostas a cada rodada, a reclamação quando você quer ver o jogo quando querem ver a novela, ou simplesmente as ruas em dia de jogo. A todos une, pois é sempre presente, até os que ousam dizer dele não gostar.

Então, como não se ver refletido na dor que se passa em Chapecó? Como não nos imaginar guardando as lágrimas em nossos escudos? Como não se deixar abater?

Essa linha, que a todos une, é a paixão. Tão difícil de conceituar quanto fácil se perceber. Até por que, o que é um conceito senão uma convenção, e a paixão senão uma verdade?

Num dia cinza como esse, é de fazer chorar imaginar que não veremos Bruno Rangel, que não veremos o que seria a Chapecoense depois da sula. Que aquele jogador sempre especulado no seu clube não mais o será. De que uma família esperava três pontos numa mala, recebeu dor. Que uma cidade inteira teve parte importante de seu cotidiano arrebatada. Porém, isso ainda não é a empatia que falamos.

A verdadeira tristeza, aquela que corta fundo a carne, é de imaginar que a partir da madrugada de hoje, cada alegria da Chape será mais comedida. Que os momentos bons sempre os trará uma alegria de certo modo triste. De que os heróis de uma cidade agora serão lembranças. De que amanhã a criança não mais gritará gol, ou de que aquele tio das sociais não estourará os tímpanos de quem por perto estiver.

Isso por que a paixão pelo futebol nos une, pois é social, é coletiva e é, sobretudo, espiritual.

Hoje, a corrente que nos une, e que a todos à nossa volta atinge (por mais que, inocentemente, digam não querer), estremeceu. A todos atingiu. Nos abriu chagas.
Mas não se partirá.

Permanecerá lá e, como sempre costuma fazer (por mais que possa não parecer), nos unirá.

Hoje, a tristeza é verde. Amanhã, toda a alegria que tivermos também deverá ser. É nossa obrigação.

O futebol, esse amálgama.

Força, Chape!





segunda-feira, 18 de julho de 2016

Análise: a nocividade de Serginho no Sport em 8 imagens.

Foto: Ricardo Fernandes/DP


Já diria o sábio que "bom no bom" é muito fácil opinar sobre qualquer coisa, mas obviamente que isso não se aplica a Serginho, um jogador que marca gol, mas consegue mesmo assim ser o pior jogador em campo. Eis o titular do Sport. 

Sem querer converter quem acha que Serginho realmente pode trazer algo de positivo ao Sport (esses certamente embebidos pelo Tobismo que levou o Sport aos piores anos de sua história), mas aqui tentaremos expor a nocividade de Serginho ao coletivo do Sport, abrindo espaços e sacrificando companheiros. As conclusões ficam a gosto do freguês.

Bem, antes de tudo, se faz necessário explicar brevemente a marcação do Sport. O leão de Oswaldo marca em linha, mas a razão de o Sport dar tanto espaço como vimos ontem (mesmo quando vencia por 2x0) está na forma como o faz. O Sport não marca por zona, ou seja, não marca o espaço. Oswaldo utiliza em suas equipes a marcação por encaixes, onde não se marca o espaço: o marcador acompanha alguém, vai à caça, abrindo o espaço atrás, diferente da marcação por zona, em que o adversário cai na marcação, tem espaço reduzido pela ocupação dos atletas, sendo um erro de passe mais possível. 

Visto isso, vamos lá. 

Juro que procurei mais minutos de Serginho, mas o material coletado no primeiro tempo foi mais do que suficiente. O que desde já indica a gravidade da situação.


No primeiro frame, vemos a marcação por encaixe individual de Oswaldo: três defensores correm para tomar a bola, em campo defensivo, e abrirão espaço. Vamos à sequência do lance.


O que ocorre em seguida é muito comum: após errar o bote, Serginho desiste da marcação e caminha, ficando estático até o fim do lance. Rithely, que joga no sacrifício há algumas rodadas, sobre o espaço deixado pelo outro volante da equipe, que também deveria proteger a zaga. Percebam que por causa do sistema de marcação, Ronaldo também sai da zaga, desorganizando a defesa e abrindo espaço pra Luan. A jogada termina com a bola na trave de atacante gremista. 



Oswaldo tenta que Serginho seja um box-to-box, meio-campista que vai de área a área (como João Paulo com Milton Mendes). Aqui, Serginho ~construtor~ erra o passe, apesar de ter opções mais fáceis. Errará muitos mais na partida, mas observem a postura dele quando a equipe toma o contra-ataque: 


Próximo ao juiz, vemos Serginho caminhando novamente, após um contra-ataque gerado por um erro de passe seu. No alto da tela, Rithely vai, sozinho, cobrir o espaço. Jajá (ou Maicon?) lançará Everton, que sairia de cara pro gol, caso não errasse o domínio do lançamento. Descaso absoluto com o jogo coletivo.

Outra caminhada do camisa 8 em contra-ataque. Novamente, apenas Rithely à frente da zaga. Grêmio finaliza a jogada: 


Outro lance igual, com Rithely mais uma vez cobrindo o espaço dado por Serginho. Finalização perigosa do gremista de fora da área (portanto à frente da zaga, onde Serginho deveria estar) por pouco não engana Magrão: 


Por fim, outra jogada bem característica de Serginho: a desistência da marcação. Aqui, não há contra-ataque gremista: o Sport está todo em seu campo, alinhado e marcando o Grêmio, com superioridade numérica: 


O grêmio na imagem acima acha facilmente a entrelinha do Sport, e criará espaço. Giuliano passa pelo lado de Serginho, caindo em seu setor. Vejamos sua movimentação:


Aqui, dois gremistas entram pelo lado de Serginho, sem dificuldade alguma. Não foi tentado nenhum desarme, e o camisa 8 acompanha à distância, literalmente olhando. Rithely mais uma vez vai para o lado em que Serginho está, cobrindo o buraco deixado pelo outro volante da equipe, mesmo ele também estando no campo de defesa. 

Creio que ficou evidenciado não só o meu ponto de vista, mas o de muitos da torcida do Sport. Não há perseguição, há apenas constatações que se arrastam ao longo do ano. Falta de compromisso tático, péssimos fundamentos, e desdém com a marcação. Esse é o Serginho real, que compromete a defesa, deixando a zaga exposta, e compromete Rithely, que há algumas rodadas entra em campo sem estar 100% e mesmo assim joga por dois volantes. E olhe que nem falamos que nessa mesma partida ele deu uma assistência pra Geromel no primeiro gol gremista e que perdeu o combate aéreo que resultou no segundo gol, também de Geromel, que igualou o placar.

Não se pode isentar Oswaldo de Oliveira nesse aspecto, tendo em vista que é ele o responsável pela arrumação tática de equipe, mas opta por deixar intocável um jogador que compromete o time taticamente à várias rodadas. Não cabe o argumento de falta de elenco, tendo em vista a presença de volantes superiores a ele no elenco, como Neto e Mancha, e na base, como o promissor Thalysson. 

Vejamos o destino do Sport nesse campeonato, sempre atentos para o fato de que o mesmo estará condicionado à presença de Serginho no time titular. 

Lances da partida: 


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Análise: o Sport é um conjunto de boas intenções mal executadas

Sempre ouço colegas torcedores afirmando que "o Sport não tem padrão de jogo" para criticar o mau futebol do time. Discordo frontalmente. O Sport de Falcão tem um padrão de jogo claro, porém pessimamente idealizado, treinado e, consequentemente, executado. Explico. 

É visível que o time possui alguns conceitos claros, dedo de Falcão: marcação no campo adversário, agressiva, superioridade numérica no campo adversário, verticalidade no passe. Todos conceitos modernos, mas executadas de um modo tão equivocado que fazem com que as boas ideias de Falcão resultem num futebol lamentável. 

Para explicar melhor, usarei duas fotos do amigo Caio Moura (@Caio_MN87), tiradas na partida contra o CRB na ilha no último sábado, 02/04: uma que ilustra bem a fase defensiva do time, a outra, a ofensiva. Pode parecer pouco usar uma imagem congelada para analisar o desempenho de um time, mas o torcedor mais atento perceberá, decerto, os padrões que se repetem jogo após jogo. 

FASE DEFENSIVA 

Como já dito acima, Falcão tem um ideia clara de como se defender: agressividade, sempre indo à caça e tentando o bote, marcar no campo adversário. Entretanto o que se vê é um time que abre espaços e está sempre em desvantagem numérica em qualquer setor do campo. Vejamos a imagem abaixo: 


Um dos principais problemas defensivos da equipe idealizada por falcão se encontra acima: a linha defensiva é completamente exposta; raramente há um linha auxiliar para fechar o espaço adversário no último terço, protegendo a zaga. Desse modo, o adversário ganha espaço para evoluir. 

O que agrava e torna o time ainda mais vulnerável, porém, é o estilo de marcação empregado por Falcão. Se antes era por zona, onde se armava o time para o adversário cair na marcação, com linhas compactadas, não dando espaço para o mesmo, agora a marcação é agressiva: se vai à caça de quem possui a posse de bola, e num time sem solidariedade defensiva isso se mostra um erro. Abre-se um espaço de onde o defensor parte e o adversário, sempre em superioridade numérica, avança. Daí o tiro sai pela culatra: ao invés de roubar a bola rapidamente, o adversário chega facilmente na área do Sport pelos espaços dados pelo próprio time. 

Outra falha na imagem abaixo: 


A cena acima é frequente: volantes cobrindo laterais e auxiliando na marcação naquele setor, abandonando o meio-campo. A cobertura dos laterais pelo volante não cabe no jogo moderno, por implicar necessariamente no abandono do meio campo. É só se fazer um pergunta simples: se o volante vai marcar na lateral, quem está marcando o meio? A resposta: ninguém. O meio é completamente livre no Sport, o que explica as fáceis tabelas dos adversários, saída lenta para o ataque, e 2ª bola (o rebote) sempre do adversário.

Então, quem deveria auxiliar na marcação pelas pontas? Os extremas da equipe. Os pontas ou meias extremos da equipem não só podem, como devem ajudar na marcação dos laterais. Avançando o adversário com pontas e laterais, é suicídio tático deixá-los no 2x1 com o seu lateral, ou abrir espaço no meio, deslocando o volante para aquela marcação. Falcão não incumbe seus comandos dessa tarefa tática, ficando os mesmos, por vezes, parados na zona de ataque adversária, já presos na marcação. 

FASE OFENSIVA

Outra vez, é possível ver os ótimos conceitos que Falcão deseja implantar e consegue, porém de forma equivocada: Presença no campo adversário, verticalidade, e velocidade. Na prática, um time que possui a posse de bola, mas que por ser estático e está sempre de costas pro gol, sem aproximação, se coloca sempre na zona morta do campo, pouco produzindo enquanto tem a bola. 


A cena acima é frequente: cinco ou mais jogadores rubro-negros se enfiam entre os zagueiros para, teoricamente, dominar o campo de ataque. O resultado prático é diverso, com os jogadores se prendendo na marcação adversária e sempre de costas para o gol, distante de quem possui a posse de bola. Como visto acima, todos estão marcados, e pouco se preocupam em se aproximar de Rithely. Inexistem tabelas e triangulações, e o time nunca consegue avançar em velocidade vindo de trás, pois todos estão no campo ofensivo, facilmente marcados. 

Aqui, um dos malefícios de ter pontas que não voltam para marcar é demonstrado. Como eles nunca estão atrás, a transição do time é lenta. O ponta sempre recebe de costas, e não evolui com o time, pois sempre breca para buscar o pivô. Como o time não faz triangulações, não havendo geralmente mais de uma opção de passe para quem possui a bola, os avanços se resumem a corridas em linha reta pelos laterais e pontas, com pouca variedade ofensiva, pois já caem facilmente na marcação. 

O que ocorre quando um time avança 5-6 jogadores, todos de costas pro gol e distante de quem detêm a posse de bola? A falta de alternativas de passe resulta em chutões e lançamentos que, com o adversário possuindo o controle total da marcação, significa posse de bola perdida e contra-ataque cedido, tudo isso num time que possui pouca solidariedade defensiva e que dá amplo espaço pelo meio. 

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Entretanto, o que faz o Sport conseguir seus resultados? A individualidade. O poder de organização e precisão no bote de Rithely, a boa contribuição ofensiva de Renê nessa temporada, a velocidade e habilidade de Lenis, a presença de área de Túlio de Melo, a solidez de Durval e a segurança de Danilo Fernandes. Coletivamente, o Sport de Falcão é um desastre anunciado. Uma gama enorme de erros que possivelmente não serão corrigidos já que (e quem já ouviu as coletivas de Falcão bem sabe) o treinador da equipe não os considera erros. 

Resta saber se a direção irá se apoiar em resultados de clássicos até o anunciado desastre acontecer na competição mais importante do ano ou, de modo oposto, será preventiva e levará o bom elenco atual a alcançar voos mais altos no nacional. 


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Pela geral

Foto: globoesporte.com

Futebol é coisa séria.

A partir do momento que 20, 30 mil pessoas vão a um estádio para se embeber daquela atmosfera de "loucura, psicopatia e caos"(cc @impedimento), qualquer cidadão com o mínimo de juízo na cabeça não só pode, como deve parar e dizer "opa, calma lá, isso é importante".

Pois é, senhores, futebol é importante.

Você sai pra ver um jogo às 22:00 horas e volta pra casa no bacurau, tendo que estar de pé pra labutar no dia seguinte. Você briga com a mulher, come espetinho assado sabe-se lá quando, você estraçalha suas cordas vocais, você se indigna com uma derrota que já previa. Como se chamaria isso?

Não é paixão, pois paixão é algo bem mais lógico e racional. Portanto, não brinquemos com isso. Não brinquemos, presidente.

Se antes o futebol sofria com o caciquismos dos dirigentes folclóricos, fumando charuto, tomando whisky, tocando os clubes de uma forma totalmente irresponsável em prol do universo, da mística do futebol, daquela atmosfera, hoje temos o extremo oposto disso. Bem, isso é o Sport.

Dirigente que tratam os clubes com frieza, como um produto a ser vendido, um rótulo desprovido de significado, uma mera demanda de mercado sem substância. A lógica comercial e unicamente comercial (esse o real problema) chegou no sport como uma manada de bois desgovernada, atropelando tudo em prol de um suposto bom-mocismo que há tempos vem desbocando num higienismo do Sport Club do Recife.

Bem, vamos lá.

Bandeira da diretoria atual do Sport, aumentar o quadro de sócios do clube há tempos tem descambado para uma perigosa obsessão, que vem tirando do torcedor a característica de torcedor para ser apenas o consumidor. E isso é plenamente observável em como o torcedor do Sport vem se comportando em estádio nos últimos tempos.

Porém, quem dera essa fosse o problema.

A entrevista concedida hoje, 23/02/2016 mostra, tão claro quanto água, que o clube está nas mãos de pessoas que sequer sabem o que é futebol. O que é aquilo que escrevemos no começo do texto. E isso, senhores, é bastante grave.

A estratégia do clube para captar sócios é clara: você é obrigado a ser, caso queira exercer o seu direito moral de ver seu clube em campo regularmente. Obrigado, pois se deu uma elevação absurda de preços de ingressos, sendo a única via para conseguir ingressos mais baratos (na verdade, pelo mesmo valor que se pagava antes) se tornar sócio torcedor, no mínimo. E daí, depois de compelido a se tornar sócio, essa declaração: "e essa evolução não foi de sócios torcedores, que na realidade não são sócios. Esses apenas compram um programa para ter benefício no ingresso, mas não votam nem têm direitos estatutários". Ora, então o cabra que é praticamente obrigado a se tornar SÓCIO torcedor sequer é sócio? Caso o indivíduo simplesmente não possa pagar R$ 40,00/mês + ingressos, ele não é sócio?

Não é de se estranhar a abordagem. Afinal, justificando-se na luta contra as organizadas, a diretoria do Sport há tempos vem descambando para um higienismo cruel, onde o pobre não tem espaço. O ápice foi em Sport x Fortaleza, com ingressos para a Geral da Sede, tradicional setor popular do clube custavam R$ 80,00 (OITENTA) reais.

Aparentemente, é aceitável expulsar pobre do estádio, desde que se expulse organizada. Foi podado do trabalhador, do cara humilde que rala todo dia o direito de ir à ilha  ver Matheus Ferraz todo perdido no miolo de zaga e ainda querer voltar na próxima partida. Por que isso é futebol.

Sob nenhuma hipótese é aceitável que se tire pobre do estádio com a desculpa de combater a organizada. Até por que mesmo com ingressos absurdos, ela sempre estará lá. Quem não está é o torcedor. E é simplesmente execrável que se ache isso ok.

Entretanto, o que esperar de uma elite pensante rubro-negra, tomando as palavras de Luciano Bivar, que acha que pode ditar como a torcida grita SEU canto de guerra?

O que se vê hoje na ilha é um retrato melancólico do que ora foi. Vazia, sem alma, e sonolenta.

Então, devolvam o Sport ao povo. O Sport não é do presidente, o Sport não é meu, o Sport não é dos sócios.

O Sport é de qualquer um que vista essa camisa e bate no peito pra dizer que é Sport. Não brinque com isso.

Devolvam o Sport ao povo, ou o povo o tomará.

O Sport é de todos.




quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A Primeira Liga e a revolução que não é



Imagem: superesportes mg

Desde que os alemães passaram com tudo por cima da seleção brasileira em pleno Mineirão na Copa do Mundo de 2014, todos perceberam que o futebol brasileiro tinha problemas. Porém, não vamos nos ater aqui ao fato de ter sido necessário que a canarinha tomasse 7 (SETE) gols em casa em um mundial para que fosse notado que algo precisava mudar. Esse não é o objetivo do presente texto. O fato é que desde esse evento, crônica e torcida se engajaram numa luta quixotesca, onde em cada esquina, em cada moinho, se encontrava um grande entrave ao desenvolvimento do futebol, que precisava ser combatido. 

Pois bem. Aparentemente, a nova arma nessa cruzada quixotesca é a tal Primeira Liga, surgida no seio da Liga Sul-Minas-Rio, que apesar de emular vários vícios que já existem no futebol, ganhou tons revolucionários nos últimos dias. Tomado pela suspeita que me surge sempre que algo é dado como grande novidade que salvará a todos, vários questionamentos vieram à mente, de modo que não me parece nada revolucionária a tal da primeira liga. Expliquemos. 

A Primeira Liga é elitista. O único critério para a participação na Liga é a grife: se você é grande no seu estado, é convidado a participar do certame. Ora, falamos aqui de um modelo que já nasceu viciado, tendo em vista que inexistiu diálogo dentro do seu próprio estado, com os clubes menores. Assim, de cara já se vê prejudicado o maior mérito da Liga: o rompimento com as federações. Respondamos a pergunta: quem rompeu com as federações realmente precisava das federações? O Flamengo precisa da FERJ? Ora, não há nada revolucionário em se fazer algo simplesmente por que se pode fazer. 

Isso nos leva a outro ponto: esse rompimento dos grandes com as federações não mostrou, em nenhum momento, interesse em libertar quem realmente se vê amarrado às federações: os pequenos clubes. Aprisionados por uma espécie de síndrome de Estocolmo, são tidos por vilões por alguns insensíveis, por se unirem sempre às federações em momentos de conflito. Ora, são clubes que apenas sobrevivem (e apenas sobreviver é algo bem grave) dentro do modelo atual. Grande parte dos clubes do Brasil, a imensa maioria, só tem calendário até maio. Os atletas são profissionais do futebol por cinco meses, e são desempregados nesse meio por sete. O que é oferecido a esses clubes? Novamente, os restos dos grandes. 

Por que, amigos, é muito fácil se rebelar quando SE PODE. Quando, na pior das hipóteses, um time que acabou de subir à série A ganha R$ 20 milhões. Ora, há uma barreira a ser ultrapassada aqui, que é completamente desprezada. E tem relação direta com o fracasso de nosso futebol. Porém, estamos saindo do tema. 

Voltemos. 

O que a Primeira Liga tem a oferecer a quem não é do mesmo grupinho de sempre? Por que a simples presença de Flamengo de Fluminense nessa liga (o que parece ser mais necessidade do que opção) já é grave indício de nova subordinação. É das garras do futebol do Rio e São Paulo que os clubes devem se libertar. Um clube que apenas de cotas de tevê recebe o valor de R$ 250 MI não se liberta de nada, pois nunca esteve preso. A presença de clubes do Rio, como que para legitimar o torneio, macula qualquer intenção revolucionária do mesmo, pois é contra a necessidade desses clubes que os demais devem se unir, pois um campeonato com 5 clubes é inviável, porém um com 15 integrantes é plenamente possível. Deve-se fazer com que os milionários clubes do sudeste do país sintam necessidade dos demais, e não o contrário. É disso que carece o espírito da Primeira Liga. 

Então, creio que seja necessário bem mais do que a Primeira Liga apresenta para que a mesma seja considerada algo transformador do futebol brasileiro, como grande parte da imprensa quer vender. Que se dialogue internamente. Que se preocupe com os menores. Que o debate passe do Espírito Santo e dialogue com a verdadeira Primeira Liga, a do Nordeste, como bem disse Cássio Zirpoli.

Até lá, é apenas vento. 

E vento até destrói, mas não muda. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Sport x Huracán e um panorama de mudanças

                                                        Foto: globoesporte.com

É bom dizer antes de iniciar tal texto: não sou analista tático e nem pretendo ser. Sou apenas uma pessoa dentre muitas que, além de assistir futebol, se importa em tentar entender o jogo. Visto assim, vamos ao texto. 

Dentre os vários lugares-comuns do futebol, um deles diz que um time não muda sem que o treinador tenha tempo de treinar a equipe, o que é uma verdade (não sou um hater dos clichês, na verdade). Na noite de ontem, quem esteve atento pôde visualizar um Sport que já tenta mudar um pouco o seu estilo anterior, ao menos até os 60 minutos de peleja. 

DAS OBSERVAÇÕES DO JOGO 

As peças utilizadas não mudaram em relação ao jogo anterior, com exceção dos atletas suspensos e da entrada de Régis na vaga de Elber. Podemos ver no primeiro tempo, no que se refere a marcação, um time que tenta marcar mais na área adversária, ora no 4-2-3-1 e ora até no 4-2-1-3, com Marlone, André e Maikon Leite compondo uma linha de 3 no campo adversário, ainda que o conceito de marcação pressão, que Thiago Gomes, auxiliar de Falcão e que montou times ofensivos em sua curta carreira, ainda esteja longe da perfeição: falta coordenação de movimentos, mais atenção e disposição dos atletas para isso. 

A maior velocidade do time até, ao menos, os 60 minutos de jogo se deveu a uma maior movimentação dos atletas da linha de frente do time, do pivô sempre bem executado por André para quem vinha de trás, sejam os volantes ou os pontas e laterais, bem como um maior volume de passes verticais e diagonais trocados pelo time. Ao contrário do que se pensa comumente, a velocidade do time não é dada apenas por pontas velozes, mas por essa coordenação de movimentos e por passes verticais e diagonais.

DAS ATUAÇÕES INDIVIDUAIS EM RELAÇÃO AO TIME 

Neste ponto incide o fato crucial para que o time, mesmo com essas mudanças, tenha tido dificuldade para romper a última linha do bom time do Huracán. Não vamos dar notas aos jogadores, mas avaliar seu rendimento no que toca a equipe e o que se pretendeu fazer nesse jogo. 

Pontas: mais uma vez, os pontas contribuíram para a queda de rendimento do time no último quarto de campo. Maikon Leite tropeçava nas pernas, não dando sequência às jogadas e, principalmente, tomava decisões erradas sempre que conseguia obter alguma vantagem sobre o adversário (o que eu considero o seu pior defeito: Maikon Leite não é um jogador inteligente). Somado a sua indisposição para marcar nas últimas rodadas, isso justifica, há tempos, um banco de reservas para o jogador. No primeiro tempo, Marlone ocupou a outra ponta, mas sobre ele falaremos mais na frente. Elber, que entrou na vaga de Régis, repetiu a atuação de Maikon Leite na outra ponta, e com seus constantes dribles errados, o time pouco foi para a linha de fundo no segundo tempo, ou seja, perdeu profundidade.  

Volantes: No primeiro tempo, bem. Rithely roubava e interceptava bem as bolas erradas do Huracán, que propriciava uma saída em velocidade do time, com Marlone, Régis e Maikon. Diego Souza, mesmo com sua indisposição física, era crucial na saída de bola, por arriscar mais passes profundos no lugar dos laterais. Com sua saída, caiu Rithely e Wendel não conseguiu repetir a atuação, já que tentava mais infiltrar do que armar as jogadas de trás. 

Laterais: o calo dessa equipe. Tanto Renê quanto Ferrugem não correspondem tecnicamente, tendo Renê a agravante de ser um lateral que não vai à linha de fundo e pouco cruza, talvez por não ter disposição física para tal, o que se evidencia pelas pouquíssimas arrancadas e ultrapassagens do jogador. 

AS SURPRESAS

Marlone começou aberto na esquerda, como vinha jogando, e já estava muito bem nessa função: ganhava em velocidade no 1x1, carregava a bola em velocidade (coisa que falta muito nesse time atual: jogadores pegam a bola e trotam procurando uma opção), invertendo, lançando e finalizando. Foi centralizando no decorrer da partida, trocando com  Régis, e no segundo tempo manteve o nível de atuação, já mais fixado no centro. 

Régis como sempre fez aquela partida meia-boca: joga bem 10 minutos (não importa se entrar no começo, no meio ou no fim da partida) e após, se apaga e esconde atrás dos volantes adversários. A solução de Falcão foi simples, porém pouco testada nessa temporada: Régis foi lançado na esquerda, e o time ganhou profundidade, drible e velocidade no pouco tempo que assim jogou no segundo tempo. Apesar de não ter ido muito bem, suas características (e o fato de ser canhoto) ajudaram para um rendimento maior do time: mais tabelas, corridas sem ter que puxar sempre para a perna direita, e o drible que apareceu bem naquele lado e ajudou a criar algumas jogadas de perigo, já que, como visto, o marcador sempre esperou a puxada para a direita de Elber - e sempre desarmava. 




Então, o que esperar desse time de Falcão e Thiago Gomes (sempre bom frisar o trabalho do auxiliar de Falcão por onde ele passa)? Diria que mais velocidade, com movimentação e passes mais diagonais e pontas agressivos, marcação pressão no campo adversário e, falando de escalação, Marlone centralizado, vindo buscar o jogo e agredindo o adversário, e Régis na ponta esquerda. Isso dependerá em muito de melhores atuações de nossos pontas, volantes e laterais, por óbvio: não existe tática sem técnica. Nos resta aguardar e esperar melhores dias. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Médici: o presidente, a ditadura e o futebol


   O futebol como instrumento de poder é algo antigo na história. Tal uso se mostra mais claro em regimes autoritários, que o o esporte (e com o crescimento de sua popularidade, o futebol) um dos instrumentos para propagar seus ideais políticos. Na história do Brasil, tal processo de iniciaria com Getúlio Vargas e sua ditadura, e daí pra frente os presidentes buscaram sempre incorporar o futebol em sua agenda política. Kubitschek e a seleção na década de 1950, Jango e o uso da seleção para a campanha pró-presidencialismo... E a ditadura militar. O cancelamento de um amistoso entre a seleção brasileira e a soviética por Castelo Branco já mostra o interesse da ditadura pelo futebol, bem como sua "utilidade" para passar determinado ideal. Depois de o fracasso de 1966, a militarização seria mais forte, tema sobre o qual não abordarei aqui devido ao grande número de textos sobre o tema que estão e estarão na internet essa semana. Aqui abordarei Médici, presidente durante os anos de chumbo, milagre econômico e no título do Mundial de 1970. 


 Garrastazu Médici assumiria a presidência da república logo após Castelo Branco, e iniciaria uma quebra na abertura castelista (algo próximo de um liberalismo), indicando para o estatismo e intervenção do dito estado em todas as esferas da economia. Destarte o lado político, de imediato Médici chamou a atenção dos mais atentos por ser visto frequentemente em partidas de futebol da seleção e de clubes, quando presidente. Tal “paixão” pelo desporto bretão culminou com várias teorias, muitas das quais dizem que a pessoa do presidente usava o futebol para se promover, usando-se das declarações do mesmo, em que dizia querer ser o presidente mais popular do mais (como, de fato, acabara sendo na época). Aqui é importante dizer: nemum, nem outro. O presidente não se usava do futebol unicamente para se promover, bem como não podemos dizer que a ligação entre Médici e o futebol não tenha sido explorado pelo governo. Sobre a ligação do então presidente com o esporte, Guterman cita o cronista Carlos Heitor Cony, o qual foi vítima da ditadura:

Médici era fanático por futebol, e não foi armação do regime militar a divulgaçãode algumas de suas fotos mais famosas – ouvindo o jogo no radinho de pilha, enrolado na bandeira nacional por ocasião do tricampeonato e fazendo embaixadas com alguma perícia, o que revelava intimidade com a bola. (CONY apud GUTERMAN, 2006. p.57).

Essa ligação com o futebol era, ainda, bem anterior. Médici havia jogado, quando jovem, no Grêmio de Bagé, e alguns diziam que tinha “um bom chute”. Além disso, sua linguagem era de um torcedor comum, como ao falar do jogo da Copa contra a equipe da Inglaterra, o mesmo definiu os ingleses como “fregueses de caderno”. Lenivaldo Aragão nos fala sobre essa ligação de Médici com o futebol:

O Médici, não sei nem por que ele tava no governo, era militar, tinha aquele jeito dele, agora diziam que ele tirava proveito [do futebol]; é possível que ele tirasse proveito do futebol... Mas antes de ser presidente da república, ele era ligado ao futebol. Ele era... ele servia no terceiro exército lá em Porto Alegre (que ele é gaúcho, aquela coisa toda) ... E ele ia pra jogo; ele foi do Grêmio, foi diretor de futebol do Grêmio (...) mas na realidade diziam que ele ia pro Maracanã, com um radinho de pilha e ia pro jogo lá pra se mostrar popular, mas era uma coisa natural dele, espontâneo. (ARAGÃO, 2014)

Na mesma entrevista, Leunivaldo nos diz que o Grêmio posteriormente tentou “apagar” a participação de Médici no futebol do clube das páginas de sua história, como a tentar apagar a memória da ditadura, que Daniel Aarão Reis classifica como “demonização dos derrotados”.

Entretanto, o governo militar tratou de tirar proveito da imagem do presidente para beneficiar o regime. A necessidade de tornar o regime popular entre as massas (o próprio Médici dissera que desejava ter popularidade perante às massas). O regime ainda carecia de uma legitimação, que por meio da letra da lei não era possível, já que o próprio regime escanteou a constituição “em defesa da legalidade”. Assim, a propaganda do regime se tornou o carro forte nesse processo tendo, nessa fase, Médici como principal produto “a ser vendido”, por assim dizer.


Regime e o esporte começaram a ser associado, traço comum nos regimes autoritários, de modo a ser uma plataforma onde os princípios de um regime podem ser mostrados e aprendidos. Associar Médici ao futebol, ”sobretudo nos momentos vitoriosos, possibilitava a aproximação do regime com as massas, bem com a criação de um vínculo afetivo com a sua principal liderança”(MARCZAL, 2011. p. 303). Essa associação entre Médici, futebol e regime militar não diminuiria o envolvimento do então presidente com o futebol, haja vista sua ligação com o esporte ser anterior ao fato, mas sim visa “reconhecer a capitalização desta relação em proveito da efígie pública que a ditadura buscava construir” (MARCZAL, 2011. p.303).

O próprio presidente tratava de criar um elo entre o desporto e seu governo, como mostra um texto da Revista Manchete sobre a cerimônia da posse:

Disse o General Médici, falando pela televisão: “Precisamos reproduzir, na vida político-administrativa, aquilo que conseguimos até hoje, nas atividades esportivas ou artísticas. É significativo que tenhamos obtido expressivos triunfos exatamente naqueles triunfos exatamente naqueles setores em que ocorre a entusiástica e comovida participação do povo”. (MANCHETE apud MARCZAL, 2011. p.305).

O esporte se torna parâmetro para o governo, e a associação é direta. É tarefa difícil imaginar o que seria do governo Médici se não tivesse vencido a copa, mas muitos dos preceitos e intenções do regime seriam reforçados com a conquista, como veremos mais a frente.

Amante do esporte bretão, torcedor do Grêmio de Porto Alegre e simpatizante do Flamengo, é inegável a paixão de Médici pelo futebol. Igualmente inegável foi a apropriação da propaganda do regime de tal paixão, que às vésperas do Mundial de 1970 serviria e muito para as intenções do regime, tarefa que coube à Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP). Sobre e AERP, Marczal nos diz:

Além de vincular os anúncios publicitários pertinentes ao regime, aproveitando-os também das possibilidades viabilizadas pelo esporte, caberia a ela articular os êxitos futebolísticos à imagem do próprio presidente, legítimo apreciador do jogo e ávido torcedor. Sob a luz do discurso publicitário estatal o general assumira novo aspecto, mais próximo da população, no qual figurava simplesmente como “homem comum”. (MARCZAL, 2011. p.307).


Ainda no ano de 1969, na ocasião do milésimo gol de Pelé, a ligação entre o futebol e o poder adquirira tons oficiais. Pelé, que sempre declarou estar ao lado da pátria e do bem da mesma (chegou inclusive a pedir dispensa para servir o exército; segundo o mesmo, o cumprimento de um “dever cívico”), foi recebido pelo presidente e homenageado oficialmente. A partir daí Pelé, que já figurava em diversas propagandas e peças publicitárias, seria o exemplo de brasileiro a ser seguido: o legítimo patriota. Marczal analisa tal passagem com maestria: 


Diante da significativa conotação social, aproximar-se do esporte, bem como de suas principais personalidades, consistia em uma importante estratégia para angariar o prestígio popular. Reconhecer o feito e figurar ao lado de Pelé, diante de seu inegável carisma, configurava uma oportunidade importante à publicidade estatal, particularmente na construção imagética do recém empossado Chefe de Estado. (MARCZAL, 2011. p. 309)

domingo, 8 de dezembro de 2013

A nova velha manchete


Nesta última rodada do Brasileirão 2013, o que vai ficar marcado não foi a classificação do Atlético Paranaense Libertadores, conquistado diante do rebaixamento vexatório do Vasco. Não será a amarelado do Goiás, que deixou a vaga no G4 escapar na última rodada de maneira vexatória. Não será a vitória do fluminense, que acabou ainda assim o rebaixando, num jogo suspeito da parte do Bahia. O que marcará serão as cenas protagonizadas pelas torcidas do Atlético e do Vasco nas arquibancadas. E não se fala aqui de festa... 

Vamos lá: um jogo que por si só possuía uma carga de tensão enorme: dois times dependendo de si para conseguir seus objetivos. Tal fato poderia explicar o que aconteceu, mas não explica. Por ser um evento privado, segundo o MP, a PM não pode entrar no estádio, o que forçou o Atlético à contratar seguranças profissionais; oitenta (qualquer joguinho em recife existem cerca de 200 policiais). Desses, poucos ficavam no vão que dividiam as duas torcidas. Eis que ocorre uma invasão de umas das torcidas ao espaço da outra, iniciando-se uma lamentável confusão que terminou com 3 pessoas internadas em estado grave na UTI. 

No entanto, o ponto do texto não é a tragédia, por assim dizer, em si. Como sempre ocorre em casos de brigas entra torcidas, surgem propostas milagrosas de solução de todos os problemas: fim das organizadas, suspensão dos clubes, multas, perda de pontos... Em comum, tais propostas têm um aspecto: nenhuma visa incidir diretamente sobre o indivíduo, ficando apenas na superfície e causando um impacto diante da mídia, mas cujos efeitos são inócuos. Tanto é que tais medidas já foram adotas por várias vezes pelas autoridades do futebol brasileiro, e a violência continuou a existir.  

A punição, quando ocorre, visa a instituição e acaba por atingir torcedores que nenhum papel tiveram nos delitos cometidos. O indivíduo não é visado pela justiça, o que corrobora para a continuação de tais práticas. A perde de pontos incide sobre jogos já conquistados, e não possui nexo algum que ligue a conduta de um torcedor à punição de um time na tabela. A multa não é uma punição, é uma conta a ser paga, e que os clubes que ganham grandes quantias em dinheiro o fazem sem relutar, e logo retomam as práticas. O indivíduo passa lotado nas decisões punitivas, que resolvem atingir uma grande instituição ou organização, ganhando uma grande repercussão na mídia e gerando poucos resultados.  

Ainda existem as propostas esdrúxulas: proibição da cerveja nos estádios (o néctar da violência humana), e o famoso aumento no preço dos ingressos, que supostamente tiraria dos estádio "aquela gente", estando lá só "pessoas de bem" e "gente selecionada", como o consultor de Marketing esportivo Amir Somoggi em matéria para a Lance!. Novamente, soluções que atingem apenas a superfície e mais prejudicam a massa torcedora do que a violência em si. Efeito nulo.

A punição em casos como esses, amigos, não é proibir as organizadas dos estádios, tirar pontos conquistados legitimamente por uma equipe, ou tirar mandos de campo de ambos os times. São as pessoas que devem ser punidas. O dirigente que é eleito e de pronto veste a camisa da organizada, que faz campanha direta por um candidato em troca de favores, como mais ingressos gratuitos, salas nas dependências do clube e verbas anuais. O agressor que agride outro com uma barra de ferro. O torcedor que burla o sistema, leva um rojão e mata um torcedor, ainda que não fosse sua intenção. Aqui se pune o clube, ganhando a punição um destaque maior e gerando um falso sentimento de que as coisas mudaram. 



Ademais, é bom lembrar que a violência é onipresente, e não um "privilégio" do Brasil, como alguns insistem em acreditar. No leste europeu existe violência entre torcidas, no Egito existiu recentemente, e na Inglaterra (pro terror dos que acham que a solução pro Brasil é "sair desse país de merda) os Hooligans ainda resistem nas divisões inferiores, graças ao apartheid financeiro do campeonato promovido por uma política de ingressos semelhante à que querem aqui implantar. 

O homem. Esse que deve receber as sanções por suas atitudes, e não uma entidade que fisicamente não existe e não têm consciência própria, se não pelas decisões de homens. Que se encontram dentro dos clubes e fora dele. Sejam eles os ricos empresário que comandam nossos clubes, os integrantes de organizadas, ou o torcedor que simplesmente resolver partir pela agressão. 

Deste forma sim, venceremos!

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Ainda sobre o tema, segue o bom texto de Daniel Cassol, sobre a elitização como combate à violência nos estádios: http://impedimento.org/a-culpa-e-do-torcedor/

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

No Sport, mais do mesmo (e do pior)

O torcedor rubro-negro vem sofrendo, nos últimos 5 anos, inúmeras tentativas de redução de seu orgulho (ou arrogância), típico de qualquer torcedor do Sport digno de se identificar enquanto tal. Os nomes que podem ser responsabilizados são poucos. Três. As tentativas de redução do Sport, porém, se desdobraram para além desse número, e suas consequências se multiplicam numa progressão constante. 


É como se, depois de um grande auge (redundância aqui útil), começasse a derrocada para um abismo interminável. Quer dizer, na verdade assim é. Em 2007, o retorno a série A, título pernambucano e a permanência na série A, difícil e comemorada pelo fato de que o time perdera seu treinador, Alexandre Gallo, e seu meio de campo criativo com Vitor Junior e Fumagalli, terminando o ano com Adriano Gabiru como titular. É... Em 2008, o ápice. Título pernambucano, uma conquista de Copa do Brasil simplesmente épica (definição que transcende o fato de você, leitor, ser rubro-negro ou não), onde vários jogadores deram muito além do que tinham capacidade de dar tecnicamente e em vontade, e um destaque nacional que retornava para o Sport.  


E aí, 2009.  



Caso se deva definir um marco na história recente do Sport, esse marco é a temporada de 2009. Isso por que esse ano simboliza perfeitamente a derrocada do Leão da Ilha. Novamente, campeão pernambucano. Uma Libertadores da América pela frente, cujo o Sport só tinha participado em 1988, em decorrência de outro importante título nacional, o brasileiro de 1987. Uma bela campanha, que acabou com uma eliminação nos pênaltis contra o Palmeiras, depois de um jogo fraco da parte do Sport. 

Surge a notícia de uma briga de Paulo Baier com Nelsinho Batista, técnico e ídolo do leão. Supostamente, culmina na saída de Nelsinho do clube da praça da bandeira. Daí, queda livre. 

Começa um Brasileiro com rendimento abaixo da média, e nesse aspecto o Sport foi bem regular: jogou mal até o fim e foi rebaixado. Além do elenco fraco, o presidente Sílvio Guimarães é dado com responsável por tal acontecimento. Não sem motivos: ingerências e falta de conhecimento mínimo sobre futebol, somando-se ainda uma pirangagem gritante na hora de trazer bons reforços justificam tal estigma. 

O ano seguinte não é diferente. A falta de conhecimento mínimo sobre futebol nos dias de hoje faz com que Givanildo retorne. Técnico de valor e campeão, veja bem; porém, sem mais condições de treinar um time grande dentro desse novo futebol (fato atestado pelas suas recentes campanhas nos times onde treinou). Contratações no nível de sempre, e o resultado, idêntico: fracasso e permanência na série B, agora com Geninho. 


Em 2011, a permanência de Geninho, treinador que sempre desprezou os estaduais já foi um erro por si só. Gustavo Dubeux assume a presidência, sob promessas de levar o Sport à glórias. Nos braços da torcida (é sempre bom que se diga) e, diga-se de passagem, sem oposição (uma condição para sua candidatura que foi, no mínimo, suspeita). 



Para não ser redundante, um resumo do biênio Dubeux: fracasso no pernambucano, fracasso na Copa do Brasil, e um acesso no aborto, na acepção mais pura da palavra (falando-se em futebol, diga-se). Um alento: o antigo sonho da Arena do Sport aparentemente sairia do papel. 

No ano seguinte, os erros e fracassos já ditos se repetiram: Copa do Brasil, Pernambucano e Rebaixamento. Quando o futebol é posto de lado num clube de futebol (e que nasceu devido e para o futebol), não pode ser diferente. A arena assume o destaque e as atenções de todos. Um projeto milionário que alçaria (alçaria...) o Sport a um patamar nunca antes visto. Não falemos nisso nesse momento, entretanto. A Arena malassombro fica pra outra hora.



Luciano Bivar para o biênio 2012/2013, com o respaldo da Arena do Sport. Isso é um fato incontestável, haja vista que não se falava em mais nada durante a campanha do que a construção da dita arena. Era, antes de tudo, um retorno de um presidente que nas últimas passagens só acumulou fracassos. Mais do mesmo, ou ainda pior. Em 2001 não aguentou a pressão e renunciou a tempo de o Sport não se prejudicar mais ainda com sua presença e ingerência. Em 2005 quase conseguiu o acesso do Sport a série C, em pleno ano do centenário. 

Ficou provado por a + b que, de bola, Bivar não entende. E que com o Sport, ficaria mais claro ainda, ele pouco se importava. A arena vira desculpa para qualquer fracasso e erro. Aliás, os mesmos: eliminação na Copa do Brasil, perda de título para o Santa, e até o momento, uma campanha com um futebol que até pode garantir o acesso, mas só por que o nível do campeonato é digno de várzea.

Motivos, vários. Abandono do futebol mediante vaidades e interesses pessoais. Profissionalização às avessas: nomeia um amigo para o cargo de diretor de futebol profissional, tal como um treinador que promove um atleta da base para o time profissional e a ela dá a camisa 10 e a faixa de capitão. Junto a isso, uma redução inexplicável da folha e contratações cujo o único critério é o baixo custo e a proximidade com empresários. E como a cereja do bolo, entrevistas sem pé nem cabeça e a exposição negativa do Sport sempre que pode. Hora, revela um esquema de convocação, hora um déficit na folha do time (mesmo com receitas altas e despesas reduzidas, com dispensa de jogadores caros e contratação de jogadores e treinadores baratos; no mínimo, curioso). 

A pressão sobre Luciano Bivar é incontavelmente maior do que foi em 2001. E se não é, deve urgentemente o ser. Entretanto, um questionamento deve ser feito: por que, mesmo com tanta pressão e rejeição, ele não larga o osso? 

A resposta, todos sabem.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Leônidas, por Eduardo Galeano.

Antes de Galeano, uma "breve" introdução à Leônidas.

Hoje, se estivesse vivo, Leônidas da Silva completaria 100 anos.



Começou no São Cristovão, do Rio, passando depois pelo Bonsucesso, onde também jogou basquete (!). Jogou ainda pelo Peñarol, Vasco, Botafogo, Flamengo e São Paulo, iniciando depois de aposentado dos gramados sua carreira de treinador. Durante sua carreira, foi artilheiro da copa de 1938, com oito gols, sendo um deles um golaço, contra a Polônia, de pés descalços. Foi prejudicado (assim como toda uma geração de jogadores) pela não realização das copas de 1942 e 1946, devido à Segunda Guerra Mundial. 


Autoproclamado inventor da bicicleta, talvez a finalização mais plástica do futebol, embora haja divergências quanto a isso. Chamado de "homem borracha", devido à sua flexibilidade, e de "diamante negro", por Raymond Thourmagem. 



Jogou numa época em que os negros ainda buscavam um espaço não só nacional, mas mundial. Athur Friedenreich, a bem da verdade, já lutara para tal mudança, que se deu a longo prazo (e até hoje, como em qualquer esfera social, o racismo se encontra presente, ainda que, às vezes, velado). Aliás, segundo consta no livro de Galeano, quando o Brasil foi eliminado da copa de 38, a imprensa oficial italiana, à época sobre a égide do fascismo, saudou "o triunfo da inteligências itálica contra a força bruta dos negros". Leônidas entrou nas canchas quando Friedenreich, a quem devemos o futebol plástico e alegre que hoje conhecemos, autor de 1.329 gols na sua carreira, já se retirava. 

Sem mais delongas, aí vai o texto de Eduardo Galeano, que está em seu ótimo livro Futebol ao sol e à sombra, publicado pela LP&M e que vale muito a leitura:


Leônidas 



Tinha o tamanho, a velocidade e a malícia de um mosquito. No Mundial de 38, um jornalista francês, da revista Match, contou-lhe seis pernas e opinou que ter tantas pernas era coisa de magia negra. Não sei se o jornalista francês terá percebido que, para o cúmulo, as muitas pernas de Leônidas podiam esticar-se por vários metros e se dobravam ou encolhiam de maneira diabólica. 

Leônidas da Silva entrou em campo no dia em que Arthur Friendenreich, já quarrentão, se afastou. Recebeu o cetro do velho mestre. Em pouco tempo, seu nome já era marca de cigarros e de chocolates. Recebia mais cartas que artista de cinema: as cartas lhe pediam uma foto, um autógrafo ou um emprego público. 

Leônidas fez muitos gols, que nunca contou. Alguns foram feitos do ar, os pés girando, a cabeça para baixo, de costas para o arco: foi muito hábil nas acrobacias da chilena, que os brasileiros chamas de bicicleta. 

Os gols de Leônidas eram tão lindos que até o goleiro vencido se levantava para felicitá-lo.

Retirado de: GALEANO, Eduardo. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre: LP&M, 2012.



Caetano Bezerra

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Magrão.



No futebol, poucos são os nomes de contratados que são unanimidade. No Sport, isso é ainda mais típico. A desconfiança natural da torcida existe, veja bem. Entretanto, é a própria política de contratações da diretoria que se repete: apostas do sul, interior de São Paulo, e uma promessa da base do inter. Não fujamos aqui. O tema é Alessandro Beti Rosa, o Magrão. 

Naquele ano, 2005, Magrão chegava por indicação de Zé Teodoro (e vejam só como o destino nos prega peças). Assumiu a titularidade e a perdeu pra Maizena, logo depois. Maizena tinha certa moral com a torcida, se bem me lembro do tempo que ainda não era um seguidor de futebol. Pouca coisa deu certo para o Sport naquele ano, ao contrário do que deveria ser, pelo o que representava. Enfim, esses primeiros anos não foram fáceis: em 2006 voltava para a titularidade, e foi execrado pela torcida. Não sem motivos, é bom que se diga. Gustavo assumira a meta, e também não convenceu. 

O Sport sobre para a primeira divisão. 

A diretoria contrata o bonde o Santa Cruz de 2005/2006: Rosembrik, Osmar, Carlinhos Bala e Cléber, goleiro que chega com a moral de já ser titular. Novamente, decepção. Magrão inicia como titular só para depois perder a vaga para Cleber. A esperança de um goleiro que tinha dado certo no rival e que teria que dar certo aqui também. "Teria", aqui, é quase uma obrigação.  

A esperança, que a essa altura já flertava com o desespero, da torcida vira frustração e o ódio típico do torcedor do futebol. Cléber faria um feito inédito: levou dos gols olímpicos seguidos. Com a insustentabilidade dessa situação, magrão assume o gol novamente em 2007, num rodízio que a torcida desconfiava na mesma medida em que a inércia por mudança brusca reinava. 

Aí, pode-se dizer, inicia-se a virada. 



O que pode ser (como, de certo modo, foi) a danação de qualquer goleiro, foi a ascensão de Magrão. A lenda nasce da contradição. Isso por que, depois de duas ou três rodadas, não lembro ao certo, o mito Romário carregava a responsabilidade de fazer o milésimo gol. E nesse jogo, contra o Sport, o fez. De pênalti (cometido, se bem me lembro, pelo mito Du Lopes) , tal como Pelé o fez. Magrão ficou carimbado por esse gol, apesar de demonstrar não se importar com o fardo que iria, involuntariamente, carregar. Iria. Ao que parece, a imagem de Magrão foi, ao longo do tempo, dissociada desse evento e associada à virada mítica.

Magrão, tal como nós conhecemos, nasceria das cinzas. Emergiria do fundo do poço. Ou qualquer outra metáfora que você preferir. 

A partir daquela defesa, a produtividade cresce, junto com o volume de defesas impossíveis. Em 2007, foi um dos grandes nomes do Sport, num time que, no começo da competição, perdeu o treinador que montara um time competitivo, os dois meias titulares (Vitor Junior e Fumagalli), e a confiança. Magrão ajudaria àquele Sport a se livrar do rebaixamento, ao mesmo tempo que ganhava novo fôlego na ilha do retiro.  

No final daquele mesmo ano, outra lenda desembarcava na ilha do retiro, sob desconfiança inevitável da torcida. Nelsinho Batista assumiu a equipe, com o peso de um rebaixamento pelo Corinthians do qual não teve culpa. Com ele, chega Rojas, o ex-goleiro picareta que, no brasil, fingiu ser atingido por um sinalizador jogado pela torcida brasileira. E ele tornaria Magrão o mito que conhecemos. 

O ano de 2008 começou estranho: Romerito fazendo gol de todo jeito, Jefferson Madeira e Reginaldo no ataque e fazendo gol.

Prenúncio de que algo grande estava por vir. Entrando numa competição que, apesar de já ter chegado em final e semifinais, nunca venceu, o Sport conquista o Brasil. E aí que Magrão entrou definitivamente no panteão do ídolos o Sport. Defesas que eram impossíveis, até que ele as realizasse. Reflexo de um gato ou mais. Alí, junto com Romerito, Nelsinho e Durval, Magrão levantou a taça do Brasil pelo e para o Sport. De quebra, uma libertadores. 

O resto do ano foi igual: Magrão ganha destaque por suas defesas fantásticas, e por ajudar mais do que qualquer atacante o time do Sport em seus jogos no brasileirão. A ascensão se consolida, e alí ele já era lenda. 



2009 veio. Um ano de opostos: novamente Magrão se destaca na libertadores. Uma defesa antológica num chute de Lucas Barrios, no qual tirou um chute do L. Outra assinatura de Magrão na história da meta do Sport. A crueldade veio contra o palmeiras, episódio que nenhum rubro-negro digno gosta de relembrar. Portanto, essa parte será sumariamente suprimida. Na série A, tem um dos melhores desempenhos de sua história com a camisa do Sport, se não o melhor, ofuscado pelo péssimo time e, paradoxalmente, pela enorme quantidade de gols sofridos pelo time naquele ano. 

2010 vem, junto com as críticas. Como mortal que é, e como qualquer jogador, a fase excelente de Magrão passa. Continua sendo o goleiro e ídolo da torcida, porém cada vez mais contestado. 2011, apesar do acesso, e principalmente 2012 iniciam a temporada de caça à magrão. Tudo, agora, vira motivo para negativar a figura de Magrão. Magrão é passivo demais para ser capitão. Magrão sempre vai para entrevista com ar de derrotado (apesar de poucos não perceberem que ele é o único que se prontifica a ir, que tem hombridade para tal); Magrão pouco fala. Magrão é crente (sim, teve quem falasse isso). Quando não se sabe em que atirar, se atira para todos os lados, na esperança de acertar. 

Todos erraram. 

Eis que no presente ano Magrão ressurge. Novamente (perdoe a redundância útil). Tal como outrora, o time não inspira desconfiança. Tal como outrora, contestado por parte da torcida, que insiste em reparar o irreparável, amparados pela incerteza do incerto, Saulo; promissor, mais que, ainda, é apenas promissor, se torna, em parte unanimidade para a torcida que insiste em culpar o que tem menos culpa: o goleiro, tal como Galeano nos diz em seu belo livro Futebol ao sol e sombra, é herói e, em questão de segundo, vilão. 

Não nessa noite.  


Com uma iluminação concedida a poucos, Magrão vai para a meta, após o término do jogo, fazer o que todo o time não fez: dar o jogo ao Sport. 

Pega um. 

Pega dois. 

Leva o terceiro gol, como quem pretende dar requintes de crueldade, ou maior emoção à torcida. 

E pega o terceiro. 

Novamente, Magrão acontece. O que é inédito, é que depois de muito tempo ele é reconhecido por isso. Só o trabalho é premiado, e só quem tem a sina de ser uma lenda é contemplado pelos deuses do futebol. 

Costumam dizer que Magrão é um mito. Entretanto, não o é. Não é de outro planeta. É humano, e onde reside o erro da natureza humana, reside a crença de que Magrão supera qualquer condição humana. Não pelas leis da natureza ou da ciência, mas pelas leis do futebol, muito mais profundas, complexas, e sinceras.

 E está acima da condição de mito, por que tal como Perseu ou Ulisses, desafia tudo que é mítico e previamente escrito, para escrever seu próprio destino.  

Que, para a nossa sorte, é também o destino do Sport.

Caetano Bezerra